Domingo, 29 de Novembro de 2009

"The Sound of Miles Davis" remasterizado!

 

 

 

Toda a gente já viu, certamente, num vídeo que ainda aí pelo YouTube aos pontapés, excertos mais ou menos longos (e de pior ou melhor qualidade) de um programa televisivo que se tornou um clássico da televisão:  o “especial” CBS de 1960  The Sound of Miles Davis  no qual o quinteto de Miles, com John Coltrane, Wynton Kelly, Paul Chambers e Jimmy Cobb e ainda alguns músicos da orquestra de Gil Evans tocam um pedaço de So What.

 

Pois agora o PBS, o canal público de televisão norte-americano, transmitiu em Novembro e continuará a transmitir durante todo o mês Dezembro o programa integral, remasterizado, nas suas várias estações associadas em todos os EUA.  E, enquanto não pudermos aceder  (certamente em DVD, como é de supor)  a esta versão “renovada”, aqui têm o tal excerto de So What, tão conhecido, mas agora na íntegra e com melhor imagem e som...

 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 14:50
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Bill Frisell ao vivo no Kennedy Center

 

 

Mesmo que tenha a ideia de que não gosta, não perca este singular (e profundamente americano) concerto pelo trio do guitarrista Bill Frisell no Kennedy Center, em Washington (DC).

 

 Trata-se de uma gravação da WBGO para a NPR de  uma das emissões JazzSet apresentadas por Dee Dee Bridgewater.

 

 

 

 

O trio é constituído ainda por

Tony Scherr (baixo e contrabaixo) e Kenny Wollesen (bateria) e o line up do concerto pode ser consultado aqui ao lado.

 

 

 

 

 

 

 


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 14:39
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Guimarães Jazz 2009 - Parte II

 

No recomeço do Guimarães Jazz 2009 (cuja primeira parte já aqui foi objecto de detalhada análise), actuou na noite de quarta-feira 18 o Quinteto de George Colligan, um dos pianistas actuais mais interessantes pela polivalência dos projectos musicais a que dá corpo ou para os quais é convidado.  No fundo, tratava-se do conjunto de músicos que durante quase duas semanas orientou, nos seus respectivos instrumentos, um workshop aberto a estudantes ou músicos de jazz cujas carreiras dão agora os seus primeiros passos, numa das habituais acções paralelas mais importantes do festival.

 

Neste caso, para além do próprio Colligan no piano, estavam em palco outros músicos de primeiro plano  – Jaleel Shaw (sax-alto), Michael Blake (sax-tenor e soprano), Josh Ginsburg (contrabaixo) e E.J.Strickland (bateria) –  todos eles com carreiras próprias enquanto líderes e membros participantes de projectos com notório interesse e qualidade jazzística.

 

 

Não constituindo excepção à regra de que nem sempre um conjunto de excelentes músicos faz um conjunto instrumental “perfeito”, sobretudo quando estão em presença  (como era o caso)  individualidades estéticas fortes, o quinteto ressentiu-se sobretudo de não ter conseguido ser um verdadeiro grupo e de não ter sido estabelecida, pelo seu líder conjuntural, uma estratégia suficientemente diversificada de dinâmicas musicais, instrumentais e tímbricas, de modo a que pudessem ser evidenciadas as consabidas qualidades individuais de cada um dos músicos, com todas as peças a ser tocadas  (regra geral)  quase nos 100% de intensidade sónica!

 

 

Mesmo assim, destacaram-se do repertório apresentado, logo a primeira peça com uma forte expressão afro  Danger Zone –  instrumentada em vozes paralelas e poderosamente realizada;  uma evocação neo-hard-bop em I Will Demand of Thee, com um solo pleno de emoção de Jaleel Shaw;  a curiosidade de um certo paralelismo com a estética do trio Bad Plus na terceira peça do programa, Have no Fear  (precisamente tocada apenas pelo trio de piano-contrabaixo-bateria);  a belíssima versão, num solo absoluto de George Colligan, de Body and Soul;  a “água na boca” que nos deixaram duas transições entre peças, nos solos absolutos de Jaleel Shaw e, sobretudo, Michael Blake;  e ainda o gozo “revivalista” de BeBop, num encore que foi uma espécie de homenagem a Dizzy e Parker.

 

 

Quinta-feira 19 foi a oportunidade para mais um concerto que, desde já, se perfila como um dos melhores desta temporada e que não deixará de fazer história nas crónicas retrospectivas de todos os 18 Guimarães Jazz:  a noite em que entraram em palco Dave Holland (contrabaixo), Chris Potter (sax-tenor e soprano), Jason Moran (piano) e Eric Harland (bateria), formando em democrática partilha de responsabilidades, liderança e composição o Overtone Quartet, um novo grupo que  (a manter-se)  irá dar que falar.  No fundo, um dos maiores mestres do contrabaixo rodeado por três dos mais ilustres músicos das novas gerações do jazz actual.

 

Também neste caso e mais uma vez, seria ridícula inutilidade a tentativa de utilizar o (des)qualificativo termo mainstream para caracterizar este quarteto, cuja evidente cultura jazzística acumulada e abertura estética manifestada estão fora de discussão, transpirando por todos os poros a total entrega a uma música cuja naturalidade criativa e total ausência de preconceito é uma das suas maiores qualidades.

 

Não deixa mesmo de ser interessante  – como elemento de ligação com o passado recente e com a manifesta vontade de demonstrar que todo o grande jazz jamais se repete da mesma maneira –  que as duas primeiras peças do repertório proposto fossem já conhecidas quer do quinteto de Holland quer do quarteto de Potter

 

                                                           

 

 

De facto, tanto a entrada “fugada” dos vários instrumentos em Step To It como o seccionamento temático em que se dividiu Minotaur, foram a nova face sob a qual escutámos com novos ouvidos estes dois originais do contrabaixista e do saxofonista.  Mas a grande surpresa, em termos de repertório, ser-nos ia criada por duas peças extremamente sensíveis  (em termos de composição e arranjo)  de Eric Harland, respectivamente Patterns, inicialmente dançante, bucólica e ingénua e cuja densidade e intensidade se vão intensificando pela sucessão repartida e interactiva dos solos de sax-soprano e de piano, desaguando num espantoso solo de bateria;  e, pouco depois, Maiden, uma balada iniciada por um solo absoluto  (e inconfundível na afinação, sonoridade e vibrato)  de Dave Holland, com duas improvisações recatadas de Chris Potter (sax-tenor) e Jason Moran (Fender Rhodes).

 

O mesmo Jason Moran que, em duo com Dave Holland, seria ainda responsável por um dos momentos mais altos da noite:  primeiro, num esplendoroso solo absoluto que funcionou como uma espécie de digest da história do piano-jazz;  e depois num solo bem castiço e “a carácter” do contrabaixo.  Parecendo não querer deixar-nos descansar, os quatro magníficos do Overtone Quartet não abandonariam o palco sem nos proporem ainda Interception, uma peça fogosa e agitadíssima de Holland com os vários instrumentos a “meterem-se” uns pelos outros numa espécie de intenso free tonal durante o qual mergulhámos em plena atmosfera afro, e ainda Sky, uma evocativa peça modal orientalizante, com dois grandes solos de Moran e de Potter, este agora no sax-soprano.

 

 

 

 
Não deixava de poder implicar alguns riscos  – em meio de uma programação tão exigente –  a presença, na noite seguinte, de Cassandra Wilson, cantora de primeiríssima ordem mas dada, por vezes, a deslizes discográficos de gosto duvidoso.  Diga-se, desde logo, que no grupo que lhe serviu de suporte musical não apenas estavam duas habituais presenças dos grupos de Wynton Marsalis  – o contrabaixista Reginald Veal e o baterista Herlin Riley, que ali demonstraram um poder e uma segurança a toda a prova –  como, ainda, Jonathan Batiste, a revelação-promessa do piano, e a guitarra polivalente e direcção multifacetada de Marvin Sewel, somando-se-lhes ainda a percussão de Lekan Babalola para o repertório mais descomprometido e abrangente da noite.
 
Fazendo valer a sua ampla, grave e vibrada  (mas nem sempre nitidamente captada)  voz de contralto  – nesse sentido, soando  (consoante a temática)  como a continuidade moderna de um misto de Sarah Vaughan, Betty Carter ou Roberta Flack –  Cassandra ergueu um espectáculo naturalmente marcado por uma forte componente comercial mas cuja frequente presença da “negritude” e da “tradição” de Nova Orleães contribuiu para conferir-lhe uma genuinidade parcimoniosa, indispensável à criação de bons momentos musicais, como Lover Come Back to Me, St. James Infirmary, Till There Was You e, sobretudo, essa emocionante evocação de Charlie Patton (o pai dos Delta Blues), numa versão perfeita do lendário Pony Blues.

 

 

O último dia do Guimarães Jazz 2009 ficaria marcado pela realização de dois concertos de características muito diferentes:  em primeiro lugar, a actuação vespertina da big band da ESMAE  (Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, do Porto),  sob a direcção de George Colligan;  e, para encerrar o evento, a presença do trompetista norte-americano Dave Douglas em meio de uma big band de origem dinamarquesa.

 

 
Culminando, por assim dizer, o workshop no qual foi acompanhado pelos membros do seu conjuntural quinteto, George Colligan congratulou-se  (e nós com ele)  pela surpresa de encontrar potencialidades evidentes nos músicos que lhe permitiram tocar  (aliás, pela primeira vez fora dos EUA)  música sua ou arranjos seus para a formação de big band.  Foi assim que ouvimos, numa sequência da qual ressaltaram  (para além da coesão colectiva)  as qualidades solísticas de alguns dos componentes da big band, como o saxofonista-tenor, o pianista e um dos bateristas, peças de bom efeito, como orquestrações originais para It Don’t Mean a Thing  (Duke Ellington)  ou Wiggle Waggle  (Herbie Hancock),  uma versão arranjada por Slide Hampton para Sometimes I Feel Like a Motherless Child ou um dos quadros  (Humanity)  da suite Post 9/11 do próprio Colligan.
 

Era entretanto indisfarçável a expectativa há muito criada quanto ao concerto de encerramento do festival, nessa mesma noite.  E o caso não era para menos:  aí estava finalmente a oportunidade para, pela primeira vez, escutarmos o grande trompetista norte-americano Dave Douglas num novo contexto instrumental, o da big band.  O curioso é que, dividido em duas partes com intervalo a separá-las  (coisa hoje rara em Guimarães e na maioria dos concertos de jazz),  o concerto acabaria por ser a tradução de duas concepções musicais totalmente distintas, para não dizer radicalmente opostas.

 

 

Recorda-se, muito brevemente, que na origem deste empreendimento musical  (hoje consubstanciado num novo álbum do trompetista, A Single Day, ainda não chegado a Portugal)  esteve a reunião, pela primeira vez em estúdio, de Dave Douglas com a big band da Rádio Frankfurt  (uma das estações estaduais da rádio pública alemã)  sob a direcção de Jim McNeely.  E que, do repertório deste álbum, fazem parte três obras inteiramente compostas para trompete-solista e orquestra por Dave Douglas às quais se somam outras quatro obras já conhecidas de anteriores discos do trompetista  (por formações mais pequenas),  agora arranjadas para grande orquestra por McNeely.  No concerto de Guimarães, foi ouvido o repertório quase integral deste novo disco, com a única excepção de Bury Me Standing.  Mas a orquestra que esteve em palco não foi a big band de Frankfurt e sim a dinamarquesa Blood Sweat Drum ‘n Bass Big Band.  Uma diferença que não foi de pormenor...

 

Feito este intróito, necessário para bem situar aquilo que se ouviu  (e como se ouviu),  diga-se em primeiro lugar que, para além da contagiante qualidade das obras de Dave Douglas escutadas na sua esmagadora maioria na primeira parte do concerto, aquilo que tornou o mesmo verdadeiramente singular  (e até insólito!)  foi a radical diferença entre as suas primeira e segunda partes.  E como dei por bem-vindo, pela primeira vez nos últimos tempos, o tal intervalo hoje tão caído em desuso!  É que ele veio a revelar-se extremamente útil, e até pedagógico, para que se evitasse qualquer confusão entre as duas metades do concerto.

 

Pode dizer-se mesmo que estivemos perante um case study, ou seja, perante a demonstração de que um punhado de excelentes  (e por vezes brilhantes)  músicos só se transformam numa excelente  (e por vezes brilhante)  orquestra em razão directa da música que toca(m) e de quem a escreveu e dirigiu.  Tal e qual como no futebol, em que onze bons jogadores só constituem verdadeiramente uma grande equipa em razão directa da qualidade do trabalho de direcção técnico-táctica de um dado treinador!

 

Para ocupar o menos tempo possível com a tal segunda parte do concerto, digamos que, em geral, ela constituiu  (pela ligeireza e comercialismo da música tocada e pelo frenesim e quase histerismo gestual da “espectacular” direcção de Jens “Chappe” Jensen)  um lamentável equívoco neste contexto musical, já que antes estaria melhor  (e sem dúvida competentíssima, não haja a menor dúvida)  num qualquer Festival da Eurovisão.

 

 

Sob a direcção altamente competente, segura e ao mesmo tempo sofisticada de Jim McNeely, os mesmos músicos  (e até, nalguns casos, os mesmos solistas que fizeram companhia a Douglas)  haviam-se mostrado antes totalmente transfigurados  (para muitíssimo melhores),  beneficiando sem dúvida das companhias mas fazendo valer, libertos de quaisquer peias ou “esquemas exibicionais”, as suas qualidades individuais e comprovando, mais uma vez, como o jazz para grande orquestra, na Dinamarca como em outros países nórdicos e da Europa Central, continua de boa saúde no Velho Continente.

 

Sem dúvida admirável foi a inteligência e a musicalidade que resultou da alternância criada pela escrita de Douglas e McNeely entre as dinâmicas para o tutti instrumental e os pequenos grupos de instrumentos fazendo fundo aos longos solos do trompete-solista;  a habilíssima utilização por Jim McNeely das associações de instrumentos pertencentes a diferentes naipes;  a forma como as “madeiras” e as “palhetas” eram valorizadas em clusters que deslizavam horizontalmente ou nos contrastes verticais com os metais;  a energia e o prazer de tocar de Dave Douglas, num tal ambiente instrumental, explorando as inesgotáveis virtualidades técnicas e expressivas do seu trompete e, ao mesmo tempo, desafiando os solistas que a seu lado se aventuraram, com relevo para Jacob Danielsen ou Nicolai Schneider (sax-tenor) e mesmo para a jovem Julie Kjær (sax-alto).

 

 

Neste sentido, Persistence of Memory  (dedicada a Booker Little),  Campaign Trail e The Presidents  (evocando momentos exaltantes das transformações no contexto político de há um ano atrás nos EUA)  ou Blockbuster  (com a impressionante entrada sucessiva de vários instrumentos e naipes na orquestração)  foram alguns dos momentos mais impressionantes deste festival.  Obras estas bem acompanhadas por Tree & Schrub, a derradeira e delicada peça tocada por Douglas e McNeely a encerrar a noite com a Blood Sweat Drum ‘n Bass Big Band, num regresso ao palco que constituiu, ao mesmo tempo, um diplomático e elegante gesto de agradecimento e de incentivo aos restantes músicos, enquanto tais.

 

Asssim terminava mais uma edição, a 18ª, do Guimarães Jazz, talvez uma das melhores da sua já longa história.

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Fotos: cortesia de João Peixoto e d’ A Oficina


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 12:10
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Cascais Jazz está de regresso!

 

 

(a realizar na primeira noite do festival, 04.12.09)

 


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 11:15
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Guimarães Jazz 2009 - Parte I

 

 

                                                                             Fotos: cortesia de João Peixoto e d’ A Oficina

 

A três anos de distância da entronização e consagração de Guimarães como Capital Europeia da Cultura, uma pessoa pergunta-se qual poderá vir a ser, então, por hipótese, o elenco do Guimarães Jazz 2012, já que, este ano, é de verdadeiro luxo que deve falar-se ao referir o conjunto de personalidades e grupos que compõem a presente edição.

 

Se não acreditam, vejam lá quem já tocou, até ao momento em que escrevo, no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, só na primeira parte do festival, realizada entre 12 e 15 deste mês:

 

1)  “Kind of Blue @ 50” (12.11.09) – Jimmy Cobb So What Band, com Jimmy Cobb (bateria), Wallace Roney (trompete), Javon Jackson (sax-tenor), Vincent Herring (sax-alto), Larry Willis (piano) e Buster Williams (contrabaixo);

 

2)  Hank Jones Trio (13.11.09) – Hank Jones (piano), George Mraz (contrabaixo) e Willie Jones III (bateria);

 

3)  Branford Marsalis Quarteto Branford Marsalis (saxofones), Joey Calderazzo (piano), Eric Revis (contrabaixo) e Justin Faulkner (bateria);

 

4)  Projecto TOAP Ohad Talmor (saxofones), Bernardo Sassetti (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Dan Weiss (bateria).

 

Ao consultar-se esta lista de concertos, percebe-se logo como alcançaram um cunho eminentemente celebratório os primeiros dois:  a comemoração do 50º. aniversário da edição de uma obra-prima de toda música; e a justa homenagem a um pianista maior entre os maiores na história do piano-jazz e que nem de longe foi dos que mais visitou palcos portugueses ao longo da sua ilustre carreira.

 

                                                                                                                                                                         Não é nada fácil posicionar-se o crítico ou o ouvinte iniciado perante os resultados do primeiro concerto:  por um lado, ninguém incorreria no erro crasso de exigir que os músicos presentes em palco  – mesmo o próprio Jimmy Cobb  (hoje com 80 anos de idade e único sobrevivente do glorioso sexteto que em 1959 gravou Kind of Blue)  –  se aproximassem sequer da áurea criativa que ficou a marcar uma tal gravação;  por outro lado, difícil ou mesmo impossível terá sido o permanente exercício de afastamento, por parte do ouvinte atento e informado, do peso da memória que inevitavelmente o liga àquela exemplar gravação.

 

Pelo que, arredadas quaisquer tentações absurdas de fazer comparações deslocadas, só há que nos mostrarmos altamente reconhecidos pela comemoração da efeméride e, no plano musical, salientar a genuinidade inteira e certas passagens em concreto do jogo percussivo do sempre elegante Jimmy Cobb  (é bem verdade que quem sabe nunca esquece!),  a tranquilidade olímpica com que Javon Jackson (habitualmente músico de poucos rasgos)  evocou, por vezes com surpreendente apropósito, o ”espírito” de Coltrane e a boa forma de Vincent Herring, talvez o único que, passe a aparente contradição  (e ao contrário de um Wallace-Roney-eterno-clone-de-Miles),  seguindo a par e passo o traço musical de alguns mestres no seu instrumento  (como o óbvio “CannonballAdderley!)  ali esteve a ser verdadeiramente ele próprio, de uma forma competente, descomplexada e até a espaços inspirada!

 

 

Na noite seguinte, a simples entrada em palco de um mestre como Hank Jones seria suficiente para, através de prolongados aplausos, lhe agradecermos o muito que nos deu ao longo de um trajecto musical repleto de momentos únicos, quer como solista emérito quer como companheiro indispensável de uma série imensa de músicos com os quais tocou em actuações públicas ou em centenas e centenas de gravações.

 

Escolhendo, como só dele se esperaria, um repertório eclético e de imenso bom gosto  (e, em alguns casos, nada óbvio)  que o levou a viajar por um cancioneiro inesgotável como o norte-americano  (mesmo quando saído da pena de talentosos “absorvidos”, como Bronislav Kaper)  ou por certas peças-chave do período do jazz que ficou a marcar a sua entrada na história, Hank Jones deu mostras de uma invejável energia nas várias formas de atacar o teclado e liderar um trio e de boa disposição no contacto com o público, sempre impecavelmente apoiado por George Mraz, um dos suportes mais infalíveis que se conhecem a abraçar um instrumento tão indispensável a este contexto instrumental como é o contrabaixo.

 

                                                                                                                                                                         Ficaram assim a pontuar a noite a beleza de Lament (J.J.Johnson), a articulação bebop de Au Privave (Charlie Parker), a poderosa mão esquerda nas acentuações dos graves em Recorda-Me (Joe Henderson), o lado mais castiço e bluesy de Coming Home Babe (Bob Dorough), Lady Luck (Thad Jones-Frank Wess) ou Blue Minor (Sonny Clark), a beleza ondulante e sensual de Speak Low (Kurt Weil) e, em geral, a delicadeza de um som e a leveza de um touché que, pesem embora os muitos anos do mestre, foram emergindo, singulares e inconfundíveis.

 

 

A penúltima noite desta primeira parte do Guimarães Jazz assinalaria a passagem pelo palco do Centro Cultural Vila Flor do quarteto do saxofonista Branford Marsalis, o menos acomodado membro de um clã de nomeada bem instalado no jazz.

 

A continuada espera de, pelo menos, um segundo golo contra a Bósnia, fez-me entrar no auditório a meio da segunda peça da noite, que ainda reconheci como sendo Teo de Thelonius Monk;  mas não dava ainda para perceber imediatamente como estava a correr a função. Terá sido então a sequência das três peças que se seguiram que me fez compreender estarmos em noite repleta de algumas inevitáveis confirmações e outras surpreendentes revelações.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Em primeiro lugar, a ausência do habitual Jeff “Tain” Watts e a sua substituição na bateria pelo jovem de 19 anos (!) Justin Faulkner em nada prejudicara ou fizera perder o fulgor rítmico de um tão coeso corpo instrumental, antes iria contribuir ainda mais para a noção de estarmos consecutivamente perante vários e assumidos exercícios sobre a descontinuidade da frase musical, se entendida esta como dispositivo tradicionalmente presente  (na diversidade das suas expressões ao longo da história)  na explanação de um discurso “clássico” do jazz.
 

Chamar, alguém, a isto que se estava a ouvir, jazz mainstream, seria voltar a insistir em arremedos de irresponsável patetice, tão evidentes foram ao longo da noite os sinais de modernidade que o líder do quarteto quis deixar grudados a este concerto.  Desde logo, por exemplo, na movimentada e fragmentada conjugação de ideias temáticas em In The Crease (B.Marsalis), peça na qual o rigor do arranjo instrumental para o colectivo era constantemente seccionado e subvertido pelos contrastes dos padrões rítmicos trocados entre todos os elementos do grupo, dando origem ao fascinante cruzamento de frases só aparentemente desconexas entre si e chegando mesmo à livre irrupção de verdadeiras revoadas aleatórias produzidas por todos os envolvidos.

 

Mas já antes e depois, dois originais de Joey Calderazzo e do “ausente” Jeff Watts  – a saber:  Blossom of Parting e Sir Roderick –  haviam tornado clara não só a reafirmada vertente de compositor do grande baterista (mais tarde confirmada no gradual crescendo de intensidade emocional de Sammo)  como a noite transcendente que nos proporcionaria a espontânea erudição e criatividade do pianista do quarteto, em verdadeiro “estado de graça” e, sem dúvida, o protagonista musical da noite.

 

Por último  – e para que não levássemos demasiado a sério o concerto (!) –  foi notório o aceno de simpatia e o surpreendente golpe de rins de Marsalis na sua vontade de regressar ao terreno popular que também tanto o alimenta musicalmente, com uma insólita e assumida citação de Foi Deus  (essa peça-chave de Alberto Janes para Amália)  e com o imenso gozo da descontraída e dançável evocação de St. Louis Blues (W.C.Handy), com que a noite terminou em beleza.

 

A encerrar a primeira sequência de concertos deste Guimarães Jazz, a actuação de um quarteto expressamente reunido em palco para dar continuidade às co-produções discográficas todos os anos produzidas em parceria pelo festival e pela editora independente portuguesa Tone of a Pitch, constituiu porventura a mais conseguida e a mais absorvente das três quatro experiências até hoje realizadas, muito embora os quatro músicos se tenham “musicalmente” reunido pela primeira vez durante a própria tarde para “trocarem partituras e ideias” em relação à escolha e à estratégia de repertório a seguir nessa mesma noite.

 

Não necessariamente pelo carácter internacional do quarteto em questão  – constituído por um argentino (radicado em Portugal)  no contrabaixo, um português no piano, um suiço francófono (radicado nos EUA)  no sax-tenor e um norte-americano na bateria –  foi a total abertura estética às músicas envolventes do próprio jazz que mais impressionaram no referido concerto.

 

O destaque principal vai, naturalmente, para uma peça de fundo, Tabla Suite (se bem entendi o título),  composta por Ohad Talmor e tendo como referência explícita as tablas, um dos instrumentos de percussão mais expandidos na criação da música clássica e popular hindú e que constituiu, no decorrer do concerto, talvez o momento de maior relevância para o excepcional baterista que é Dan Weiss, também ele um apaixonado pela percussão e pela música daquelas paragens e há quatro anos estagiando e aprendendo com o seu “guru” Pandit Samir Chaterjee.

 

 

Entoando onomatopeias ritmicamente muito complexas e de grande irregularidade métrica, Dan Weiss reproduzia-as de imediato na percussão virtuosística e incisiva de tambores e címbalos, transmitindo ao resto do grupo os padrões rítmicos sobre os quais as partes previamente escritas ou depois improvisadas se “encaixavam” e apoiavam.

 

Mas o concerto começara com algumas peças de configuração muito diversa, desde Casa de Madeira Branca (Demian Cabaud) até One Day Early (Dan Weiss):  a primeira uma valsa de contornos delicados e sensíveis, bem por dentro do jazz e com Sassetti, Talmor e Cabaud improvisando de um modo mais “convencional”;  e a segunda despoletada por uma intervenção a solo de Weiss, verdadeiramente irresistível e incomparável na forma de “atacar” os dispositivos de percussão e, sobretudo, de “pensar o tempo”.  Em boa verdade, se, com Branford Marsalis, tiveramos um exercício sobre a descontinuidade da frase musical, com Dan Weiss e seus compannheiros de palco tínhamos agora um exercício sobre a descontinuidade do tempo jazzístico, mais tarde de novo retomada, por exemplo, em Seven Things, essa admirável e exigente paráfrase de Ohad Talmor sobre os acordes de All The Things You Are (Cole Porter).

 

Terminava assim a primeira parte do Guimarães Jazz deste ano, antevendo-se já como inteiramente promissores os derradeiros quatro concertos a iniciar, já na quarta-feira 18, a segunda e última parte deste evento.

 



Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 18:31
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Jazz ao vivo!

 

 

Se quiser ouvir e ver bom jazz  (em stream audio e em stream video)  na noite de hoje e na madrugada de amanhã, não deixe de ligar para a WBGO, uma estação associada à NPR, a rádio pública norte-americana, que está a comemorar 30 anos de actividade.

 

Eu explico: aqui pode escolher o leitor de áudio que preferir para escutar um concerto pela magnífica Big Band de Maria Schneider

 

É às 23:30 horas de hoje 11.11.09  (hora de Lisboa)  e o concerto foi gravado recentemente no Kennedy Center em Washington durante o 2009 Mary Lou Williams Women in Jazz Festival.

 

 

 

Por outro lado, algumas horas mais tarde  (ou seja: às 02:00 da manhã de 12.11.09, também hora de Lisboa),  poderá ouvir  (e ver)  aqui um outro concerto realizado em directo do Village Vanguard de Nova Iorque pelo quinteto Inside Straight do contrabaixista Christian McBride, com Steve Wilson (sax-alto), Warren Wolf (vibrafone), Peter Martin (piano) e Carl Allen (bateria), tocando certamente repertório do seu último disco Kind of Brown.

 
Quem é amigo, quem é?
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Actualização (12.11.09):
 
Concerto de Maria Schneider
 
 
 
 
Concerto de Christian McBride

 

 

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Actualização (15.11.09):

 

Veja aqui o vídeo arquivado do concerto de Christian McBride

 


Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 19:16
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Domingo, 1 de Novembro de 2009

António Pinho Vargas e o "gesto lírico e consonante"

(texto para a folha de sala do recital de António Pinho Vargas, Culturgest, Lisboa, 31.10.09)

 

 

Se quisermos referir-nos apenas a um único domínio da sua actividade musical, são hoje raríssimas as oportunidades de poder reflectir acerca da arte tão singular de António Pinho Vargas (APV) no que à prática e à criação do jazz se refere.

 

O recente lançamento, com pouco menos de um ano a separá-los, de dois álbuns duplos gravados a solo pelo pianista  – e como tal intitulados –,  constituíndo como que uma meticulosa e profunda revisitação da sua obra jazzística, apresentam-se como uma boa ocasião para fazê-lo e, sobretudo, para sublinhar alguns aspectos absolutamente marcantes na sua personalidade musical, melhor dizendo, no desdobramento estritamente musical dessa personalidade.

 

Iniciando a sua actividade no campo do jazz no início dos anos de 1970 e inserido nas correntes então vanguardistas  (como o free jazz)  cujas primeiras manifestações despontavam em Portugal, APV viria também a interessar-se paralela ou consecutivamente por diversas expressões do jazz e da música pop urbana, como o rock, o funk e outras manifestações das chamadas fusões, mais tarde vindo a estabilizar, por assim dizer, esse percurso sinuoso, multifacetado e prolífico na criação de um tipo de jazz de características muito raras entre nós, atitude acompanhada da consciente assunção da sua qualidade de músico europeu e, sobretudo, de músico português.

 

Ao fazê-lo, o pianista e compositor, não deixava também de reflectir, no plano musical e no plano ideológico, um pensamento cada vez mais pessoal e convicto, mesmo que sempre aberto e atento à evolução dos fenómenos culturais e sociais envolventes.

 

Por um lado, APV destacava-se entre os músicos de jazz nacionais seus contemporâneos por um progressivo afastamento do jazz de modelo norte-americano, até aí mais divulgado e praticado  (como seria inevitável)  entre nós, com a clara excepção, no plano instrumental, do seu manifesto interesse pela expressividade técnica de outros pianistas, como Chick Corea, ou, no plano composicional, pela criatividade musical de Keith Jarrett e dos seus quartetos americano e europeu, também estes experiências raras e únicas.  Por outro lado, a escolha e a formulação dos motivos musicais que serviam de fonte temática e estruturante da improvisação inerente ao jazz, passavam a invocar, em termos melódicos e mesmo harmónicos, uma expressão inequivocamente portuguesa.

 

Julgo poder assim dizer-se que, sem o exemplo de APV, teria sido menos natural o posterior surgimento na cena do jazz português de outros pianistas como Mário Laginha ou João Paulo Esteves da Silva.

 

O aprofundamento da sua preparação musical académica, realizada em Portugal e no estrangeiro, levariam o compositor a optar mais claramente por um outro caminho de afirmação musical a partir de meados dos anos de 1980.  E, embora não tenha deixado de episodicamente actuar em público como instrumentista de jazz ou mesmo de gravar mais alguns  (poucos)  álbuns neste domínio musical, foi ao ofício de compositor na área da música erudita contemporânea que passou a dedicar até hoje parte substancial do seu tempo criativo  (sendo, nela, figura de primeiro plano entre os seus pares),  acompanhada de uma actividade relevante no âmbito da docência e também da reflexão e ensaio publicados sobre o fenómeno musical.

 

Mesmo antes de desafiado, o escriba, a ocupar umas dezenas de linhas com alguma prosa minimamente indicativa quanto ao papel de APV no jazz português e sobre o que poderá antecipar-se acerca do concerto desta noite  – que enquadra o lançamento do esperado segundo volume de Solo –  este empreendimento, sempre de algum modo especulativo, já começara afinal anteriormente ao repto, aquando da publicação do seu primeiro volume.

                                                                                             

Não tendo assistido nos últimos tempos a qualquer recital ou concerto de APV na área do jazz nem tendo qualquer pista ou indício acerca do conteúdo concreto do primeiro Solo que me preparava então para ouvir em disco, a minha mais interessante e premente dúvida relacionava-se com a seguinte questão de ordem estética:  que porção da dupla personalidade do compositor havia prevalecido no resultado final da obra discográfica?  Teria o peso mais recente e absorvente do seu lado erudito influído nesse resultado, como “intromissão” transfiguradora e reformuladora das peças que ainda bailavam na minha memória?  Ou optara o autor por se manter, no fundamental, fiel à impressão digital e à matriz original que, quiçá, desde sempre pretendera se mantivessem indeléveis nos originais gravados entre 1983 e 1996?  Quem sabe, mesmo, se tal questão se lhe chegou a colocar no decorrer deste processo?
 

A conclusão provisária a que pude chegar, então, não foi divergente da conclusão mais definitiva que voltei a tirar, agora, da privilegiada primeira audição de uma cópia privada de Solo II, a saber:  parece-me claro que, independentemente de se tratar, aqui, de versões para piano solo e não para formações instrumentais de constituição diversa ou para duo instrumental com voz, a verdade é que António Pinho Vargas, enquanto compositor, decidiu de uma forma natural permanecer firme na sua atitude de não deixar os seus dois mundos composicionais embrenharem-se um no outro;  de contrariar possíveis contaminações da obra jazzística e de expressão tantas vezes popular, portuguesa, por persuasões ou tentações de tipo erudito, preferindo conservar-lhes o essencial da traça original e optando por uma revisitação o mais pura e enxuta possível dessa obra.

 

Provavelmente ao contrário do que poderá suceder na muito diferente situação de uma actuação em palco  – durante a qual a interacção com o próprio público é tantas vezes decisiva nas mudanças de estratégia (1) –  ao fazer aquela opção, APV foi ao ponto de limitar, de algum modo, ao peso essencial e adequado, a vertente da improvisação jazzística sobre o material de base;  e só raramente se deixou arrebatar por desenvolvimentos idiomáticos ou improvisativos à maneira de um Jarrett ou de um Mehldau, aqui circunscritos  (como já ensaiara num disco anterior, A Luz e a Escuridão)  à aposição de prelúdios ou poslúdios, regra geral singelos e parcimoniosos.

 

Mas uma consequência extremamente feliz deste caminho escolhido por APV foi a capacidade de nos devolver a memória de um lirismo sem mácula que banha várias das suas peças e, ao mesmo tempo, deixar-nos mergulhar deliberadamente no mundo da consonância que melhor permite realçar aquele, como acontece simbolicamente com o acorde perfeito maior que encerra de forma paradigmática o segundo disco de Solo II.

 

E sem que isto constitua qualquer contradição com o que atrás se escreveu, talvez que a prática erudita da música orquestral tenha afinal influído na expressividade sonora e tímbrica que APV tão bem sabe hoje extrair de um instrumento “orquestral” como nenhum outro  – o piano –  a um tempo puro e cristalino nas deambulações melódicas;  obssessivo e insistente nas notas pedal que lhes servem de sustento;  percussivo e ressonante nos graves;  incisivo, mordaz e sibilino nos agudos;  pastoso, volúvel e sensual nos médios;  mas sempre deixando lugar à imperfeição que todo o jazz desejavelmente deve ser, como o pianista parece querer sublinhar ao sub-intitular Imperfeições 1, 2, 3 e 4 os quatro CDs que compõem estes dois álbuns duplos.

 

Foi assim que pude recordar, ao ouvi-los  – esperando agora redescobrir de uma outra forma em palco –,  a beleza evocativa de “canções sem palavras” como Brinquedos, Veado Ferido, Quatro Mulheres, Casa de Granito no Minho ou Cantiga para Amigos;  os profundos e sentidos “corais” de Da Alma, Funerais, Que amor não me engana ou a “tocata” de Alentejo, Alentejo;  o “perpetuum mobile” (!) de O Movimento Parado das Árvores;  a alegria radiosa de Vilas Morenas, Dança dos Pássaros ou Dinky Toys;  a emoção perturbadora de Lindo Ramo, Verde Escuro ou The times they are a-changing;  as modulações a tons afastados de Cantiga para Maria;  o modalismo ibérico de Olhos Molhados;  as harmonias paralelas de O Sentimento de um Ocidental ou Águas Matinais da Holanda;  a tensão latente de Apesar de tudo, a calma (!);  o Poslúdio para Franz  (fazendo lembrar-me Maria João!);  ou ainda a impetuosa articulação jazzística e a irreprimível liberdade de Ornette, Thelonius, June, In Between T & O e General Complex.

______________________________

 

(1) -- Em tempo (01.11.09):  o recital foi um êxito musical e um sucesso de público.  E tal como em geral acontece numa actuação em palco no domínio do jazz, António Pinho Vargas transcendeu-se e transpôs, mesmo, as emoções para o teclado, indo mais além nos seus desenvolvimentos improvisativos, em particular no regresso ao piano para a terceira  (e última)  sequência de peças  (antes dos três encores),  com duas versões de antologia para Thelonius e General Complex.

_______________________________

 

Fotos: cortesia de Isabel Pinto


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 16:41
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